Yours truly: Mari Portela
Data de Fabricação: meados de 1986
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Quinta-feira, Janeiro 24, 2008

O amor é um bicho louco correndo solto nas veias, na alma, nas noites insones.

Não falo do amor maternal, fraternal, animal.
Desse tipo de amor, não preciso falar.


Falo do amor visceral, carnívoro, ciumento e cruel.

Do amor tranqüilo, manso, que nada em águas profundas do corpo.
É o amor por outra criatura.
Ser masculino, feminino.

Do desejo sem controle, confuso de paixão, de dor, de afeto, de alegria, de solidão, de companhia.

Do sopro quente, o suor, a ponta da língua, o estalo no cérebro, uma luz no peito, o morder de lábios, o gritar, o calafrio subindo e descendo a espinha, o rir com gosto.

Da humilhação, o desprezo, a comiseração, a compaixão.

Do amor que corrompe todos os sentidos e se alimenta sem dó, sem mastigar, arrancando pedaços.

E o que come, esse amor?

Amizade.

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Love is a mad animal running loose through the veins, the soul, the sleepless nights.

I do not mean maternal, fraternal, animal love.
Of this kind of love, I need not to speak.

I speak of the visceral, carnivorous, jealous and cruel love.

Of the calm, quiet, swimming in the body's deeps waters love.
Of the love for another creature.
Masculine, feminine being.

Of the uncontrollable desire, confused with passion, of the pain, of the affection, of the joy, of the solitude, of the company.

Of the warm breath, of the sweat, of the tip of the tongue, of the click in the brain, of a light in the chest, of the biting of lips, of the shouting, of the chills coming up and down the spine, of the roaring laughs.

Of the humiliation, of the contempt, of the commiseration, of the compassion.

Of the corrupts all senses love, which feeds itself with no pity, without chewing, tearing peaces.

What does it feed from, this love?

Friendship.

Mari comeu uma bolinha verde às 4:35 AM

supimps!!!

O amor é um bicho louco correndo solto nas veias, na alma, nas noites insones.

Não falo do amor maternal, fraternal, animal.
Desse tipo de amor, não preciso falar.

Falo do amor viceral, carnívoro, ciumento e cruel.

Do amor tranqüilo, manso, que nada em águas profundas do corpo.
É o amor por outra criatura.
Ser masculino, feminino.

Do desejo sem controle, confuso de paixão, de dor, de afeto, de alegria, de solidão, de companhia.

Do sopro quente, o suor, a ponta da língua, o estalo no cérebro, uma luz no peito, o morder de lábios, o gritar,o calafrio subindo e descendo a espinha, o rir com gosto.

Da humilhação, o desprezo, a comiseração, a compaixão.

Do amor que corrompe todos os sentidos e se alimenta sem dó, sem mastigar, arrancando pedaços.

E o que come, esse amor?

Amizade.

Mari comeu uma bolinha verde às 4:21 AM

supimps!!!

Sexta-feira, Janeiro 11, 2008

Era uma tarde cor de violeta.

Uma menina branco-areia-e-sal, um mar cor de oliva. Na beirinha da água, indo e vindo, ela sentiu que uma coisa brilhante crescia dentro dela.
E a tarde violeta pousava na noite negra, e ao longe as luzes dos barcos errantes iam e vinham, piscando vermelhas, azuis e amarelas.

Num deles, o pescador-menino cor de pôr-do-sol, olhava a orla onde a tarde ainda era azul-claro e amarelo creme. E lá no fundo, talvez, só talvez, a mesma coisa brilhante nascia em seu peito.

O cheiro de sal-peixe-alga-sol era o mesmo na margem e no alto-mar.
E a tarde cedeu ao negro de veludo da noite. A primeira estrela apareceu e dois pares de olhos estavam grudados nela.

Na beira do mar, os pés imersos nas ondas quentes, a roupa colada no corpo molhado, o vento dourado soprando as madeixas cor de ébano.
No barco, escamas prateadas no chão, sal no corpo, dedos cansados.

O olhar na estrela.

O veludo chamado noite cobriu o mar, tornando-o também negro. Não se pode dizer se naquela noite o céu refletia as luzes de barcos do mar ou se o mar refletia a luz das estrelas. Era apenas o gosto de escuridão salpicado de pequenas luzes.

E no peito da menina branco-sal-e-areia e do menino pôr-do-sol explodiu a coisa brilhante. E ela era púrpura.

Mari comeu uma bolinha verde às 1:55 AM

supimps!!!

Segunda-feira, Janeiro 07, 2008

Quero amor, mas é impossível
Alguém como eu, tão irresponsável
Alguém como eu está morta em lugares
Que outros sentem liberados

Não posso amar, tantos buracos
Não sinto nada, somente frio
Não sinto nada, somente velhas cicatrizes
Endurecendo em volta do meu coração

Mas quero amor, só que diferente
Quero amor, que não me quebre ao meio
Não me prenda, não me enterre
Quero um amor que não signifique nada
É esse o amor que quero, quero amor.

Quero um amor onde eu dite as regras
Depois de tudo que aprendi
Eu carrego comigo muita bagagem
Vi tráfego demais nessa vida

Então, vem com tudo, eu já fui machucada
Não me dê um amor limpo e suave
Estou pronta pra algo mais forte
Nada de doce romance, já não aguento mais.

Mas quero amor, só que diferente
Quero amor, que não me quebre ao meio
Não me prenda, não me enterre
Quero um amor que não signifique nada
É esse o amor que quero, quero amor.

Mari comeu uma bolinha verde às 4:29 AM

supimps!!!

Sexta-feira, Janeiro 04, 2008

- Filho, mamãe precisa conversar uma coisa com você... senta aqui. Olha, eu tenho uma coisa pra te contar, e eu quero que você preste bastante atenção. O papai e a mamãe vão se separar.

Ela olha pros olhos grandes do menino, os cabelos escuros, reconhece seu queixo, seu próprio nariz no rostinho pequeno de cinco anos.

- Mas sabe, filho, a gente ainda é muito amigo, e a gente ama você igualzinho, do mesmo jeito, nada vai mudar, tá?

- Tá.

O menino olha pro outro lado da sala.

O coração de mãe aperta e com uma mão no peito e outra no braço da criança pergunta:

- Tá tudo bem, filho? Fala pra mim o que você tá sentindo. Tá triste, tá zangado? Conta pra mamãe.

- Ah, mãe, tô triste.

Os olhos delam enchem de lágrimas.

- Mas porque, filho? - o bate-bate acelerado no peito.

- Ah, porque faz mó tempão que a gente não vai pra praia.

- Ué... mas... e o papai e a mamãe se separando?

- Ah, isso? Ah, tudo bem, eu tô feliz.

Mari comeu uma bolinha verde às 12:25 AM

supimps!!!